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    A problemática do lixo marinho proveniente das pescas, na costa NO da Península Ibérica

    Para identificar a magnitude do problema que o lixo marinho representa para a indústria pesqueira, realizamos entrevistas semiestruturadas com pescadores e outras figuras-chave do sector pesqueiro. Segundo os pescadores, o lixo marinho ocorre maioritariamente perto da costa, perto da foz dos rios, portos e vias de navegação. Os alcatruzes e pequenas partes de redes ou armadilhas, são as artes de pesca perdidas mais frequentemente. Em relação à perda de artes de pesca por inteiro, os pescadores afirmam que podem perder até 3 dias à sua procura, devido ao elevado custo requerido para as substituir. Pescadores portugueses e espanhóis investem, em média, 49 000 € na compra das suas artes de pesca. Eles perdem frequentemente partes dessas artes, pelo que para muitas embarcações implica um custo anual superior a 1 500 €, que representa 10 % dos seus benefícios anuais. Além disso, os pesadores podem perder uma hora por dia a retirar o lixo marinho que recolhem nas redes, visto que este lixo pode danificar parte da sua arte, o pescado e ainda colocar em risco a segurança e navegabilidade das embarcações. O impacto económico direto médio do lixo marinho capturado durante a faina, foi estimado em 600 €/ano por embarcação, sendo que os pescadores aplicam 3 horas por viagem, retirando as 13 t de lixo marinho que todos os anos fica preso nas suas artes de pesca. No geral, todos os setores da indústria pesqueira concordaram que existe ainda a necessidade de envolver os pescadores cada vez mais, na problemática do lixo marinho e que haja incentivos para os pescadores recolherem as artes de pesca perdidas assim como, outro tipo de lixo marinho.

    Parceiro(s): CIIMAR, UNIV. AVEIRO, UNIV. SANTIAGO DE COMPOSTELA


    Relatório técnico D2.1 - Artes de pesca perdidas mais frequentemente e os seus hotspots
    Relatório técnico D2.2 - A problemática do lixo marinho no ponto de vista dos pescadores
    Relatório técnico D7.1 - Custos do lixo marinho para as pescas
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    Os impactos ambientais das artes de pesca perdidas

    Dois hotspots de artes de pesca abandonadas, perdidas e descartadas (ALDFG, em inglês) na costa noroeste (NO) portuguesa foram monitorizados para avaliar a qualidade ambiental de poluentes provavelmente absorvidos (metais e PAHs) ou libertados (microplásticos) por ALDFG. No geral, foram encontrados baixos níveis de metais e PAHs nos dois hotspots em estudo, demonstrando que tanto a água como os sedimentos não se encontravam significativamente poluídos como são exemplo outras áreas na região NO de Portugal. Aliás, os níveis de metais e PAHs encontravam-se, na maioria dos casos, abaixo do limite de deteção e, no geral, consideravelmente inferior aos valores a partir dos quais são esperados alguns efeitos nefastos. Não foi observada nenhuma influência das redes de pesca perdidas visto que os níveis de contaminantes foram semelhantes entre os locais com e sem (controlo) redes fantasma. Ambos os ALDFG hotspots encontraram-se contaminados com microplásticos. O hotspot de Matosinhos (submarino afundado) apresentou um maior nível de contaminação por microplásticos quando comparado com Cavalos de Fão (localizado na área marinha protegida do parque natural litoral norte), maioritariamente for fibras, no entanto mais análises são precisas para se identificar a origem destes microplásticos.

    Parceiro(s): CIIMAR


    Relatório técnico D4.1 - Impactos ambientais das artes de pesca perdidas